O briefing limita?
Imagine a situação, você chega na padaria e pede seis pães. O vendedor olha pra sua cara e diz, “não, você precisa de 8! Melhor, você não quer pães, você quer ovos!”. Absurdo não?
Agora imagine que você vai atender a necessidade de um cliente de sua agência, ele pede um site e você entrega uma ação extremamente onerosa, com ótimo (provável) resultado. Você já viu isso acontecer, não?
Algumas vezes as agências deixam de atender a necessidade de um cliente para atender sua própria necessidade, seja um portfolio mais amplo, experimentar nova tecnologia, ou simplesmente mostrar que sabe fazer determinada coisa.
Quando você chega a um médico reclamando de dor nas costas, ele vai estudar a situação, fazer exames e por fim, te dar sugestões das saídas possíveis e a mais recomendada para sua situação. Ele pode te recomendar fisioterapia, uma cirurgia, uma infinidade de coisas, mas no final, a decisão é sua. Se essa recomendação for muito distante do que você imagina, provavelmente você buscará outras opiniões.
Clientes tendem a vir com ideias prontas, em geral muito ruins, e cabe as agências conversar e recomendar o mais indicado, porém, há situações em que isso simplesmente não cabe. Por exemplo, digamos que a agência que detém a conta da padaria citada lá no começo receba um pedido, o dono que fazer um trabalho de mídias sociais, mesmo sem detalhes, isso soa absurdo. Pra que diabos uma padaria iria querer fazer um trabalho de mídias sociais? Então a agência sugere que no lugar disso, seja feito um trabalho diferente, uma divulgação mais localizada e por fim, com argumentos bem sólidos, seria possível convencê-los que é a melhor opção.
Agora veja a diferença, o tal médico resolve contratar uma agência e cria uma concorrência, parte dela é descrever um sistema para agendamento de consultas online. Eis que uma das concorrentes resolve apresentar um belo projeto de mídia online, só isso. Obviamente, isso não satisfaz o médico, não faz parte do planejado e no mínimo ele vai achar que as pessoas dessa agência não sabem ler.
Existe uma ampla diferença entre “o cliente não sabe o que quer” e “ele não conhece suas necessidades”. Não acho que um briefing deve limitar a criação, mas ignorá-lo, certamente não ajuda em nada.



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