Graduar ou não graduar? Certificar ou não certificar?
Ontem eu estava pensando em criar um post com um agradecimento aqueles que tanto contribuíram para minha formação pessoal/profissional, mas depois do post do Cassano sobre faculdade, acabei mudando o foco do post, para falar do que penso sobre formações e aproveitar para agradecer.
Sobre o que ele disse, eu concordo em partes.
Graduação
Acho de verdade que uma faculdade pode, eu disse PODE, fazer uma enorme diferença para uma pessoa. As dificuldades e sacrifícios que tive que fazer para cursar a faculdade, as pessoas que conheci, o respeito dos professores, ritos e tudo mais, não seriam substituídos pelas experiências que tive na vida profissional.
Vejo todos os dias, ou quase todos os dias, código de comunicólogos que programam e não consigo entender porque se auto denominam “desenvolvedores”, porém, também vejo código de tecnólogos que não são lá essas coisas. Por outro lado, basta ver o que o Zeh é capaz de fazer com seus códigos para derrubar o mito da necessidade de uma faculdade focada para se tornar excelente no que faz.
Não é a faculdade que faz a pessoa, – mais clichê impossível, mas cabe aqui – tem muito publicitário formado na ESPM que sequer sabe escrever direito. Tem muita gente formado em faculdades de péssima fama que são referência (não vou dar exemplo do Dulcetti porque acho vacilo
.
Certificação
Tenho (literalmente) uma dúzia de certificações, Flash, Flex, CF… algumas deram trabalho e tive que estudar, outras não deram trabalho nenhum, mas a conclusão sobre todas elas, parafraseando o Zeh é, “Elas atendem a mercado ao qual não pertenço”.
Nunca ganhei 1 centavo a mais por tê-las, nunca achei que haviam contribuído de forma significativa para que eu fosse um melhor desenvolvedor.
Porque as tenho? Honestamente, não sei. Talvez seja só pra poder dizer, “Sinto muito, mas é fácil consegui-las”.
Experiência, convivência e Personalidade
De minha parte, com o próprio Cassano aprendi tanto, tanto sobre comunicação… com o Pedro Taranto sobre programação, Raul Queiroz, Rodrigo Freire e outros sobre “criação”, Rothier sobre criação e como lidar com as pessoas, e a lista não para de crescer.
Por conta desse conhecimento fui contratado n vezes em n circunstâncias. Acredito sim que a faculdade me fez um “melhor profissional”, mas acredito mais que a convivência com pessoas tão bacanas me fizeram melhor como um todo.
A maior lição que tive na vida foi a de um senhor – amigo da família – cujo nome é Edvaldo, ao ver aquele senhor de quase 60 anos tentando se formar em engenharia, fui conversar com ele. A história dele é simples, ele veio do campo e era analfabeto até os 21 anos. Aos 57 se formou em engenharia, a diferença que isso fez pra vida dele, sinceramente não sei, mas a vitória que aquilo representou… não dá pra descrever.
Das histórias que me mudaram
Passei 1 ano acordando 4:30 da manhã para ir de Petrópolis ao Rio para estudar. Numa das situações mais divertidas – agora eu posso rir – aconteceu o seguinte, quando já estava quase me mudando pro Rio comecei a faltar aulas, um dos professores se irritou e resolveu fazer uma aposta comigo, se eu tirasse 10 na primeira prova dele, não precisava mais ir nas aulas. Aceitei o acordo e tirei o 10, não voltei mais na aula e reprovei por nota… a única reprovação que tive, lição aprendida. É, não tinha motivo nenhum pr’eu contar essa história, mas eu gosto dela.
Conclusão
A grande diferença é não se limitar, tanto na faculdade quanto na convivência. Sempre fiz questão, na faculdade, de assistir as aulas do curso de jornalismo, desenho industrial, administração, direito… Sempre fiz questão de aprender com jornalistas, designers, médicos, veterinários.
Se acho que a faculdade é essencial, sim, eu acho. Senão é possível que você passe o resto da vida dizendo que foi formado “pelas ruas”. Mas se você não teve a chance, isso te torna pior? Não, isso não te torna pior, mas talvez seja um bom desafio para você.
Já que estou aqui…
Eu tentei escrever o nome das pessoas com quem tanto aprendi, mas a lista seria enorme, mas sou muito agradecido por tudo que me ensinaram. E já que esse post veio por conta do Cassano, torno pública minha admiração por todo seu conhecimento e trabalho, você é O cara.
[nota]
Há certificações muito, muito diferentes das que tenho, essas sim punks, mas essas da Adobe, Microsoft, etc…
[Update]
Me lembraram que uma empresa já me ofereceu dinheiro pr’eu dizer que era funcionário de lá (por conta do certificado) para que ela participasse de uma concorrência. Não sei se isso ainda acontece, mas dizem que antigamente era muito comum.
[Outros links sobre isso]

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O problema das certificações é que é criado um mercado meio artificial por conta delas. A entidade que dá a certificação quer enfiar na cabeça das empresas que querem contratar que É necessário contratar um cara com uma certificação, ao mesmo tempo que também querem enfiar na cabeça do profissional de que ele precisa comprovar que é capaz com uma certificação.
O problema (mais na nossa área) é que ao menos que as certificações sejam usadas por todo mundo, elas perdem o sentido. A empresa mal olha as certificações que alguém tem na hora de contratar. E o profissional não vai querer ficar tirando certificações a cada nova versão do software sabendo que não vai usar.
A coisa talvez mude um pouco de figura quando você quer contratar alguém *necessariamente* cheio de letrinhas no currículo. Tipo um cara pra dar palestra ou pra prestar consultoria. Aí não importa muito o que o cara tenha, ou a qualidade dos certificados, desde que tenha uma sopa de letrinhas no currículo. É bonito. Você vai na palestra e o cara é certificado em AS, CF, .NET, PHP, MYSQL. Não importa que ele não trabalha efetivamente com tudo isso.
No caso dos trabalhos que eu faço, a empresa tá pouco se lixando se o cara tem certificação X Y ou Z, foi indicado pelo Papa ou não. Eles querem saber se o cara trabalha bem ou não, se tem a agilidade e experiência ou não. Nenhuma certificação testa isso, e nem pode. Isso se faz olhando o currículo do cara e conversando com gente que já trabalhou com ele. Saber em teoria não quer dizer nada.
Admito que pra mim, talvez essa visão venha de quando eu comecei a trabalhar. Conhecia pessoas com certificações que não manjavam nada. Tinha uma garota que eu conhecia que tinha um grande certificado pendurado na parede do escritório… super importante. Era algo sobre Aldus PageMaker, se me lembro bem. Aí quando ela precisava de ajuda ela me chamava. E eu nem trabalhava com PageMaker. Adorava a garota, mas ela tinha um certificado e ganhava mais do que o dobro do que eu ganhava. Isso moldou minha mente. Não a favor de certificados só pra ganhar mais, mas contra porque não querem dizer nada.
Tem mercados por aí que giram mais ao redor de certificações. Produtos Microsoft, por exemplo. Uma porque o modelo de negócios dos softwares e plataformas MS geralmente já gira em volta disso mesmo, é mais normal você sair pagando pra qualquer coisa, então o mercado “acostuma”. Fora que acho que os testes deles são mais difíceis.
No meu caso, cheguei a fazer o teste da Macromedia uma vez, acho que do Flash MX 2004, sei lá. Fiz por fazer, pra ver como estava. Estudei um pouco antes. Tive 1:30hs pra fazer o teste, que era em inglês. Engraçado que o teste original é 1:00h, mas por ser em inglês, te dão meia hora a mais no Brasil. E te emprestam um dicionário inglês-português. Achei engraçado; não usei o dicionário, e terminei em meia hora. Acho que o % pra passar era 70%. Estava tão mulambento pra fazer o teste – era um centro de treinamento todo bonito e formal – que o cara que aplicou o teste achou que eu não ia passar. O resultado você sabia na hora. Tirei 92% ou 94%. Ganhei um diploma bonitinho e um bottom. Nunca usei o certificado, e achei um desperdício. Quando saiu versão nova do Flash, nem pensei em renovar.
Enfim. Falei, falei e não disse nada, mas acho que expliquei o porque de dizer que “não atende o mercado a qual pertenço”.
Eita Jabazão… seu puxa saco! Agora minha vez: Otimos textos!
Talvez o comentário acima tenha soado mais cretino do que deveria. Peço perdão.
Mas enfim, concordo com o artigo. Inclusive com a parte sobre a faculdade.
Cretino nada cara, é bem isso mesmo. Tenho certeza de que ainda vou levar umas pedradas por esse post, mas no final é bom saber que há quem concorde.
Hoje em dia, ao menos aqui no Rio, não tem dicionário. A prova de Flex tem UML, OO (teoria) e AS3, entre outras coisas. A de Flash, sinceramente, não vale nada.
Eu espero ter oportunidades de aprender com você, eu preciso ter essa oportunidade. Certamente não faltam motivos pr’eu querer isso e muito menos o que você possa me ensinar.
A da época que eu tirei (antes de ter Flex) eram duas.. Flash designer e Flash developer. A que eu tirei era de developer, e era pra ser bem de programação mesmo, mas obviamente nada tão específico. Acho que as coisas mais “difíceis” que tinham lá eram Flash Remoting (que eu não usava). Mas não tinha nada de OO/UML. Era mais sobre a sintaxe da linguagem e algumas poucas pegadinhas.
Ótimo texto. Só não vou dizer que você que é “o cara” senão a gente entra num duelo de gentilezas aqui que não vai levar a lugar nenhum.
Nosso mercado é muito diferente de outras áreas.
Não sei se confiaria totalmente num neurocirurgião que aprendeu tudo no Youtube, mas tive a honra de trabalhar com gênios como o Bribeiro, o Taranto, Vanildo Vanni e outros tantos que são o que são porque estão sempre abertos a aprender e a crescer com todas as lições que a vida dá, seja dentro de uma sala de aula ou numa conversa na fila do banco.
Graduar ou não graduar?
Sem dúvida Graduar. Um curso deve ser visto como um ponto de partida e não de chegada, isto é, partida para um aprofundamento de todos os conhecimentos que vão sendo adquiridos.
Aqui em Portugal é frequente as pessoas ficarem apenas pelo que aprenderam na Universidade e começam um longo período de estagnação. Talvez por isso os cursos superiores são cada vez menos valorizados pelas empresas e a percentagem de licenciados nas caixas de supermercado seja enorme.
Em relação às certificações temos uma realidade diferente do Brasil. Para além das certificações que mencionaram temos certificações financiadas pela União Europeia com professores de qualidade muito duvidosa. Professores que não ensinam o que sabem e que não sabem o que ensinam. São milhões de euros desperdiçados em formações Call of Duty e Counter-Strike se é que me faço entender…
Existem de facto alguns engenheiros que admiro pela sua dedicação e paixão, rigor e forma de pensar. Mas ao nível da criação não tenho uma única referência nacional.
Determinação precisa-se!
Força Brasil!
Ricardo