Durante um ano e meio, entre 2008 e 2009 estive trabalhando apenas como freelancer, foi uma experiência ótima, durante este tempo pude notar algumas características que descrevo abaixo em dois grupos, vantagens e desvantagens. Claro que nem todas as vantagens ou desvantagens se aplicariam para todos, de acordo com suas expectativas de vida, as coisas podem parecer fora de lugar.
Eram poucos e bons os motivos que me levaram a me dedicar exclusivamente aos freelas, entre outros, poder escolher os trabalhos que faria e ter mais flexibilidade em sentido amplo. Neste post vou avaliar apenas o meu ponto de vista como freelancer, ignorando o ponto de vista da agência e muitas vezes apelando ao absurdo para expor um ponto de vista.
É evidente que se trata de uma visão resumida – até porque o post ficaria longo demais.
Das vantagens
Certamente uma das maiores vantagens de você ser freelancer é o horário. Claro que num dado momento você pode acabar se enforcando nas cordas da liberdade, é necessário muito controle e disciplina para não virar noites e acabar perdendo um pouco de sua vida social ou misturando o pessoal com o profissional.
Terça-feira, 3 da tarde e eu conversando sobre códigos, processos, livros e jobs com o Pedro Taranto, tomando cerveja e sem preocupações. Trabalhando numa agência, raramente isso seria possível, mas acontecia com frequência neste período.
Outra questão muito positiva são os valores, em geral você recebe pra fazer o que os outros não sabem – e pra isso você precisa mostrar que sabe fazer essas coisas e conquistar a confiança – ou o que não deu tempo deles fazerem. Tanto por um motivo quanto por outro, é justo que você receba mais que um funcionário regular receberia para executar tal tarefa, no fim das contas, se você conseguir estruturar sua vida, contatos e freelas direitinho, poderia – em teoria – trabalhar 1 semana e ter o valor acima da média salarial. Há questões, mas é possível.
Outro dos pontos mais bacanas é que você pode orientar os trabalhos que aceita afim de formar um portfolio que aponte para onde você quer ir. Ter um portfolio que abra portas é o melhor caminho para chegar onde você quer, o problema é conseguir este portfolio, afinal, todo mundo tem que começar de algum lugar.
Conheci muita gente neste período, vi a realidade de muitos lugares e aprendi muito, em especial sobre os processos. Tive que lidar com pessoas que tinham resistência pelo simples fato d’eu ser freelancer (explico na parte II) e fazia visitas a agências pelo simples prazer de conhecer as pessoas, os lugares e seus processos. Foi uma época boa.
Das desvantagens
Nunca tive problemas com prazos, não me lembro de ter furado um, porém, me incomodava e algumas vezes me atrapalhava muito a lentidão nos processos de aprovação e ajustes. O feedback pode se tornar muito, muito lento dependendo da estrutura da agência e do cliente que está sendo atendido. Isso é especialmente ruim porque você nunca sabe quando vem um pedido de ajuste, pode ser num ponto crítico de outro freela que você pegou por ter acreditado que o anterior tinha morrido.
Aprenda: Freelas não morrem!
Dia 15, 4 da manhã e eu insone; O pagamento do Freela sumiu… não veio, atrasou. Isso é improvável quando você trabalha numa agência. A insegurança é o que dá medo nos freelas, você pode ser bem relacionado, ter um ótimo trabalho, todo mundo gostar de você e de seu trabalho, mas um belo dia… não tem freela. Não houve job seja por uma conjunção astrológica, pelo aquecimento global ou pela crise da economia. E aí?
Trabalho urgente e subestimado, código legado e bizarro, projeto desorganizado, e sem a mínima documentação, essas são características comuns em projetos onde chamam os freelancers, no fim das contas você passa mais tempo tentando entender o que foi feito e ajustando o que você completou que programando de fato.
Freelancers são sempre – ou quase sempre – taxados como “aquele inútil que atrapalhou minha vida”, pelo menos até você conseguir se estabelecer, fazer amizade e alinhar a forma de trabalho com a agência, mas pense, você não está alocado, não está naquela reunião de status onde localizam o problema, quem você acha que vai ser o culpado pela situação?
Esse ano tive uma lesão na coluna, como consequência, não pude trabalhar durante algumas semanas – que pra mim pareciam meses – acabei enrolando a vida de uma agência (muito obrigado pela paciência Bruno, Lula, B e Fabio), eu não tinha controle sobre isso, nem eles. No fim das contas tudo deu certo, estou relativamente melhor e o projeto seguiu seu caminho, mas isso é um problema grave! Imagine se você fica doente e não pode entregar um job… e mais, se você não trabalha, não recebe.
Se optar por ser freelancer, faça um plano de previdência!
Conclusão
É claro que você não pode simplesmente largar tudo e dizer que vai ser freelancer – na verdade, poder você pode, mas tem grande possibilidade de se enrolar todo – sem antes criar algum vínculo com agências/pessoas para se manter, mas vale a pena. A grande questão é, até que ponto você está disposto a investir tão a fundo sua energia em trabalhos geralmente parecidos e no isolamento de idéias?
Não se engane, a maior parte dos trabalhos mudam apenas em estética, técnicamente é sempre quase o mesmo.
Se você tem problemas de relacionamento com pessoas, ser freelancer é um ótimo caminho – para não enfrentar o problema, claro – se você precisa se abastecer de idéias, talvez não seja mais interessante considerar uma oportunidade de trabalho alocado.
O fato é que não existe uma verdade universal, não dá pra dizer qual “O melhor”, mas o que posso dizer com plena certeza é que ninguém desse mercado pode se realizar sem antes passar um tempo como freelancer e muito menos sendo só freelancer.