O Twitter não tem bom humor

June 21st, 2009

Durante as semanas em que estive trabalhando com o Allan Kirsten tivemos várias idéias, uma delas veio da percepção que o Twitter vem sendo usado por muitos como um “psicólogo barato”, muitas reclamações, alguns desabafos, etc.

Daí veio a idéia, por que não criarmos uma ferramenta onde um usuário qualquer poderia mandar um recado “carinhoso” para alguém dentro do Twitter? Claro que tudo seria monitorado e acompanhado de perto para que não saísse do controle e, no pior dos casos, poderíamos cancelar a conta e tudo ficaria bem.

O nome era óbvio, “sifude”, expressão regularmente usada no Rio de Janeiro com sentido variando desde uma agressão até um agradecimento sincero (acredite!), passando por simples cumprimento.

si_fude

O desenvolvimento foi extremamente rápido e no dia seguinte já estava online o www.sifude.co.cc, a ferramenta que para alguns era um sonho, para outros um pesadelo. No entanto, tão rápido quanto o desenvolvimento, o Twitter suspendeu a conta. Tínhamos algumas opções de ação, criar outra, reclamar, iniciar uma campanha… não havíamos quebrado uma regra sequer, então, qual o motivo?

si_fude2

O caminho escolhido foi entrar em contato com o Twitter, porém, o chamado foi marcado como “resolvido” sem nenhuma resposta ou justificativa para o cancelamento da conta. Ainda tentei mais algumas vezes o contato por email e pelo help deles, mas sempre sem sucesso.

Já que ficar criando diversas contas não é uma opção, não nos resta alternativa senão deixar um #sifude pro Twitter.

si_fude3

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Projetos web e os tradicionais erros

June 17th, 2009

Depois de trabalhar com tantas agências e consequentemente com processos distintos, pude observar uma série de erros comuns em seus projetos. Sim, observei isso no Rio de Janeiro, mas tenho certeza de que se repete em outros lugares.

Com um pouco de cuidado e mais atenção, tenho certeza de que a qualidade dos projetos poderia melhorar muito, com este post não tenho nenhuma intenção de mudar algo, como sempre, o objetivo é mostrar o resultado de minhas observações.

A metodologia

A grande maioria das agências cariocas não possuem nenhum tipo de metodologia para o desenvolvimento de seus projetos, normalmente as necessidades, restrições, premissas, riscos e tudo mais é descoberto ao decorrer da execução. O fluxo de trabalho também é confuso e na maior parte dos casos não se respeita a dependência de tarefas, como resultado temos um enorme retrabalho, atraso e qualidade abaixo do esperado.

O planejamento

Muito pouco tempo é dedicado a esta etapa o que gera no fim das contas muitas idas e vindas, não é medido corretamente a quantidade de recursos (pessoal, tempo e dinheiro) necessário para a execução e como consequência o projeto acaba ficando manco.

Mas por que isso acontece?

Existem diversas formas de responder esta pergunta, uma delas é, uma agência precisa pagar suas contas e não pode cobrar muito, existem muitas agências por aqui – com pouquíssimo diferencial – e o que define, na maior parte dos casos, quem vai executar o projeto é o valor dado. Para resolver isso ela precisa de um certo volume de jobs em execução, assim, os prazos são curtos inclusive para o planejamento do que será feito.

Outra questão é a “ignorância”, não no sentido ruim, mas veja, uma pessoa que nunca programou na vida, pode desenhar uma forma extremamente complexa e achar que via código aquilo é feito tão rápido quanto no Photoshop ou algo do tipo (o mesmo se aplica para um programador que acha que uma tela pode ser produzida em segundos).

Ainda acredito que é melhor planejar por 1 ano e executar em 1 dia que planejar em 1 dia e passar 1 ano fazendo remendos.

A execução

Muitos jobs, pouco tempo e o pior, ninguém sabe o que está fazendo e como isso se liga ao trabalhos dos outros. Uma clara definição de “o que é responsabilidade de quem” resolve metade dos problemas e uma reunião antes do começo do projeto para que todos entendam o que está sendo feito, por que razão e qual o objetivo daquilo, resolve outra boa parte.

Se você está trabalhando com freelancers, pegar o mais barato nem sempre é uma boa idéia e oferecer menos ao que você confia é pior. Quanto menos um freelancer ganha, maior a desconfiança dele e pior o comprometimento.

Se você está produzindo isso em casa, talvez seja uma boa idéia eventualmente fazer um agrado para sua equipe, porque não? O comprometimento aumenta e você vai ver o resultado.

Uma questão muito importante é o respeito pelo conhecimento do outro, lembre-se se você é uma pessoa sem background de design, provavelmente não vai ter muitas condições de criticar (o que não quer dizer que você não possa contribuir) o layout de alguém. Confie e respeite seu colega/funcionário/freelancer.

Nem sempre o que foi desenhado pode ser implementado, a usabilidade por ficar ruim, ser tecnicamente inviável ou simplesmente na hora do layout nem tudo foi levado em conta. É preciso entender e achar uma saída intermediária que resolva o problema e fique bom, não adianta se manter 100% fiel ao layout e ninguém conseguir usar.

O controle

Controlar não é ser chato! Os melhores atendimentos que conheci – não sei porque ainda os chamo de atendimento, eles eram/são Gerentes de projeto – estavam sempre ali do lado, de bom humor, dispostos a achar uma saída em conjunto, confiando, dando uma dura quando necessário e nunca, nunca abandonavam a equipe. 5 da manhã, todo mundo cansado e eles ali do lado participando, tentando ajudar a resolver.

Claro, você precisa de feedback, saber como estão as coisas, onde estão e quando vão terminar. É importante saber onde está para poder avaliar o status e a qualidade do que foi desenvolvido até então.

Não basta estar dentro do escopo e prazo, a qualidade tem que ser boa.

A conclusão

Depois de todo projeto (ou etapa do projeto, depende do tamanho dele) acho essencial uma reunião para que se possa verificar o que foi bem feito, o que pode melhorar e resolver prováveis problemas entre as pessoas da equipe. Numa situação de estresse, um email que não foi lido direito pode se tornar uma crise entre dois ou mais membros da equipe, essa é a (provavelmente ultima) chance de resolver de maneira amigável.

Avaliar seus fornecedores, a equipe e claro, premiar – nem que seja com um tapinha nas costas – aqueles que se destacaram é uma ótima maneira de mantê-los dedicados.

Outros problemas

Alguns problemas comuns eu já havia comentado em outro post, mas vou listar frases que deveriam ser banidas das agências.

  • Vai fazendo que depois a gente vê como fica;
  • Faz o código que depois eu te mando o material (layout, fla, html, etc);
  • Faz o layout que na semana que vem a gente vê se são essas seções mesmo;
  • Isso é simples de fazer, você demora o que, 4 horinhas? (Se fosse simples você mesmo faria, não?)
  • A gente faz esse job com esse valor, depois a gente compensa.
  • Mas é só mudar o texto/cor/imagem/forma, é copy/paste!
  • Eu conheço o cliente, ele não aprovaria isso! (Talvez você devesse perguntar, ele pode estar só esperando você oferecer algo novo e não o de sempre)
  • Muda isso aqui, depois, se precisar, a gente volta.
  • Faz na linguagem x que depois a gente dá um jeito.
  • faz um prototipozinho, mas com tudo q vai ter no final
  • Faz um prototipozinho, só com tudo q vai ter no final.

Entre outras.

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O fim do Adobe User Group do Rio de Janeiro

June 1st, 2009

No dia 08/05/2009 enviei um email para a Adobe pedindo o desligamento do AUG-RJ do seu programa de User Groups, resolvi escrever sobre os motivos que me fizeram tomar esta atitude por mero respeito aqueles que participaram do AUG-RJ e aos que sempre apoiaram a idéia. Que fique claro, meu objetivo não é alfinetar ninguém – até porque, como todos sabem, nunca tive problemas em dizer diretamente a(s) pessoa(s) o que tiver para dizer.

O objetivo da criação

Em 2005 quando criei o MMUG-RJ (Macromedia User Group) eu tinha um objetivo, fazer com que as pessoas se conhecessem, conhecessem outros pontos de vista e gerar um caminho para a difusão do conhecimento. Era simples assim, e na primeira palestra presencial, uma injeção de animo, mais de 60 pessoas para assistir uma palestra sobre conteúdo. Ali começava a saga.

A percepção durante o caminho

Do segundo encontro presencial pra frente, a quantidade de pessoas participando descia vertiginosamente, a lista ia bem, saudável, mas os encontros presenciais que começaram com mais de 60 pessoas chegaram a 5, mesmo com os reforços de divulgação, brindes e etc.

Passei a planejar palestras online, se não me engano a do Dulcetti foi a mais assistida, teve fila de espera pelos limites do servidor. Algumas outras aconteceram com a participação de, em média, 30 pessoas.

Alguns encontros informais começaram a ser marcados e notei que cerveja era o que atrairia as pessoas, mas mais importante que isso, independente da quantidade de pessoas que apareciam, quem ia nesses encontros criava imediatamente um vínculo de amizade com os outros, o objetivo de criar networking estava começando a se cumprir.

Mas nem tudo são flores, o primeiro encontro informal teve a presença de 8 pessoas, mais de 20 haviam confirmado presença. Nesse dia me dei conta de algo que anos depois tive provas concretas, apesar do alto grau de exigência das pessoas por encontros, palestras e afins, poucos estão realmente dispostos sair de suas casas e participar.

Discussões e mais discussões

Nesses 4 anos houveram inúmeras discussões e em várias instâncias, na lista do AUG-RJ, com orgulho ferido por ter sido repreendido por sua conduta um membro tentou iniciar uma agressão descabida. Alguns entenderam do que se tratava e calaram, outros tomaram as dores de um ou de outro. Foi a primeira vez que fui chamado de “ditador”, expressão que até passei a gostar depois.

( Imagino que em toda liderança democrática, quando uma discussão toma rumos que fogem ao seu propósito, ou se tornam sem fim, é necessário que alguém a traga para o eixo ou dê fim a mesma. Foi o que aconteceu, então, pra mim ficou tudo bem.)

Outra lista foi criada por mim e Lauro Santos para gerar um ambiente em que todos os managers do Brasil pudessem trocar idéias. Vi várias brigas, muitas vezes meramente por ego, outras por uma leitura descuidada e em último caso, por simples incapacidade de interpretar um texto.

Várias acusações contra pessoas cujos nomes nunca foram mencionados foram desferidas nessas listas, boas discussões foram criadas mas idéias se repetiam todos os anos, como o clássico MAX Brasil. O saudosismo dos antigos managers vira e mexe ressurge.

O começo do fim

Com todas essas questões (discussões constantes, falta de  participação dos integrantes, a batalha de egos, a repetição das mesmas idéias e por fim os absurdos que li nas listas) me fizeram me sentir cada vez mais desanimado com relação ao User Group. Depois da mudança de MMUG-RJ para AUG-RJ, muitos não nos acompanharam e o AUG-RJ virou quase uma irmandade, quase todos se conhecem pessoalmente, trabalharam juntos e são amigos.

A família cresceu, outros que nada tinham de relação com o grupo foram se juntando, todo mês há (ao menos) um encontro do grupo e alguns desses encontros passam das 25 pessoas, claro que agora não existe mais relação com o AUG-RJ, mas ele foi a semente que uniu essas pessoas.

O fim

Desanimado, sem esperança de fazer com que o grupo voltasse a sua antiga forma e certo que os esforços seriam menosprezados, acabei focando em outras coisas e tentando colaborar através de outros meios. Passei a indicar aqueles cujo trabalho eu conhecia para vagas de emprego. Continuei tirando dúvidas (como sempre fiz) pelo meu email pessoal, msn e afins e, voltei a escrever sobre diversos temas aqui no blog… enfim, aquilo que eu deveria fazer pelo AUG-RJ, acabei fazendo apenas pros que de fato se interessavam, sem me preocupar com nada mais.

Mas aí há um problema, apesar de não usar nenhum recurso vindo da Adobe em benefício próprio, eu não estava cumprindo todas as exigências do programa de User Groups. Além disso, nunca dei exclusividade a temas Adobe em discussões e palestras, nem acho que deveria ter feito.

Nos últimos meses tenho visto várias pessoas que sustentam seu status de “especialista” numa ferramenta em certificados da Adobe e em um conhecimento duvidoso. Particularmente nunca tentei convencer ninguém que eu era melhor ou pior por ter x certificados, ser manager ou algo do tipo. Também nunca tentei convencer ninguém que o Flash (ferramenta com a qual trabalho) é melhor que qualquer outra, até por que acredito que o contexto é quem diz o que é melhor ou pior.

De “vou fazer uma apresentação de 1 hora com 1 slide” a “indico apenas esta tecnologia porque acredito que ela seja a melhor”, os (sob meu ponto de vista) absurdos se multiplicavam e numa dessas, me dei conta que eu já não fazia parte daquele meio, daquilo tudo.

Eu já não cumpria todas as obrigações para me manter no programa de User Group e acredito que posso fazer muito, mas não quero me sentir preso as obrigações de um programa de User Group, então, por que continuar?

Aos que continuam no programa, desejo sorte, aos aspirantes e aqueles que sonham com fama, sucesso, mulheres e dinheiro, desejo sorte duas vezes, vocês vão precisar.

O que valeu a pena? São pessoas que pensam assim.

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Vanishing point

May 9th, 2009

Quando comecei a tentar fazer as coisas com o 3D nativo do Flash achei que seria uma boa idéia, mas com o passar do tempo algumas questões começaram a aparecer e percebi que existem alguns detalhes que realmente tem muito a melhorar.

Apesar disso, em alguns projetos onde o 3D é mais simples e com poucas animações e interatividade, tenho optado pelo 3D nativo. Nesses projetos, acabei me deparando com algumas situações e as saídas podem ser úteis para outras pessoas, o problema mais recente que tive foi com relação ao vanishing point (ponto de fuga) então vamos lá.

Nesse primeiro código estou apenas criando um MovieClip, posicionando no centro do stage e rotacionando no eixo Y, sem definir nada mais.

var _plane : MovieClip	= addChild(new MovieClip()) as MovieClip;
_plane.graphics.beginFill(0x000000);
_plane.graphics.drawRect(0, 0, 200, 100);
_plane.graphics.endFill();	

_plane.x		= (stage.stageWidth - _plane.width) * .5;
_plane.y		= (stage.stageHeight - _plane.height) * .5;
_plane.rotationY 	=  -60;

E o resultado é esse:

img_3d_11

 

Você pode usar o código abaixo e definir o vanishing point que desejar.

import flash.geom.PerspectiveProjection;
import flash.geom.Point;

var _plane		= addChild(new MovieClip()) as MovieClip;
_plane.graphics.beginFill(0x000000);
_plane.graphics.drawRect(0, 0, 200, 100);
_plane.graphics.endFill();	

_plane.x		= (stage.stageWidth - _plane.width) * .5;
_plane.y		= (stage.stageHeight - _plane.height) * .5;
_plane.rotationY 	=  -60;

var _vp : PerspectiveProjection 	= new PerspectiveProjection();
_vp.projectionCenter			= new Point(505, 285);
_plane.transform.perspectiveProjection  = _vp;

Tendo como resultado:

img_3d_3

 

Caso você tenha algum objeto no stage com alguma transformação 3D o vanishing point dele se torna o padrão para os demais objetos, logo, se você não definir nada no seu código, o resultado poderia ser algo do tipo:

img_3d_2

Daí vem algumas questões; Posso ter vanishing point distinto para n Objetos?; Se um Display Object estiver dentro de um outro Display Object, qual será o ponto de referência do filho?

Vamos por partes, primeiro sobre distintos vanishing points. Diretamente na timeline eu não consegui – o que não quer dizer que seja impossível – criar pontos distintos para os objetos que sofreram transformação 3D, porém, via código isso é possível.

 

import flash.geom.PerspectiveProjection;
import flash.geom.Point;

var _vp : PerspectiveProjection = new PerspectiveProjection();

/** Primeiro plano **/
var _plane			= addChild(new MovieClip()) as MovieClip;
_plane.graphics.beginFill(0x000000);
_plane.graphics.drawRect(0, 0, 200, 100);
_plane.graphics.endFill();	

_plane.x		= (stage.stageWidth - _plane.width) * .5;
_plane.y		= 20;
_plane.rotationY 	=  -60;

_vp.projectionCenter 	= new Point(505, 285);
_plane.transform.perspectiveProjection = _vp;

/** Segundo plano **/
var _plane2		= addChild(new MovieClip()) as MovieClip;
_plane2.graphics.beginFill(0x000000);
_plane2.graphics.drawRect(0, 0, 200, 100);
_plane2.graphics.endFill();	

_plane2.x		= (stage.stageWidth - _plane.width) * .5;
_plane2.y		= 140;
_plane2.rotationY 	=  -60;

_vp.projectionCenter 	= new Point(105, 285);
_plane2.transform.perspectiveProjection = _vp;

Que resulta em: 

img_3d_4

Sobre a relatividade do vanishing point, se você tiver um MovieClip com transformação 3D no root e outro dentro de um container, o ponto é o mesmo e sempre com relação ao stage. 

Na imagem abaixo existem 2 MovieClips, o mais claro está no root e o mais escuro está dentro de um container na posição 600, 350 e seu container foi alinhado para ficar lado a lado com o primeiro MovieClip (o mais claro). Perceba que mesmo o MovieClip filho estando na posição 600, 350 de seu container,  o que vale de fato para o Flash é onde no stage ele se encontra. 

img_3d_5

 

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Felicidade Interna Bruta – Proposta

May 2nd, 2009
Felicidade Interna Bruta - Proposta    

Felicidade Interna Bruta - Proposta

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A beleza e a inteligência

April 26th, 2009

De cara preciso deixar claro que estou falando de um mercado muito específico que cada vez mais valoriza a estética dos trabalhos e quase sempre se esquece da *inteligência necessária para torná-lo mais durável.

*Inteligência tendo como sentido neste texto: A compreensão do site, facilidade de uso e sua aceitação pelo usuário, sua relevância, criatividade, utilidade, entre outros.

A beleza é efêmera.

Sim, a beleza é efêmera, mas acima disso, o conceito de beleza é temporal e relativo (minha mãe me acha lindo, você pode me achar um traste), o da inteligência é, em geral, absoluto. Pense nas musas da antiguidade e compare com o conceito atual de beleza, percebe a mudança? Por outro lado, sendo ou não incompreendidos em sua época, há quase unanimidade sobre a fundamental contribuição de Platão, Turing e outros (é importante ter em mente que ninguém tem 100% de razão, mesmo os gênios).

Musa

O inteligente e genial não passa, é indiscutível

Mesmo havendo quem questione o conteúdo da teoria da relatividade, eletromagnetismo, teorias sociais, filas, grafos ou das cores, quem questiona sua relevância? 

Ninguém discute tais coisas, por mais que algumas delas tenham sido revisadas ou com o passar do tempo tenham deixado de ser utilizadas, sua importância é eterna. Isso é uma das demonstrações que o trabalho que envolve o intelecto, em geral, é mais durável que os trabalhos realizados apenas para realizar algo bonito.

Tiazinha, Rita Cadilac e tantas outras, tiveram seu momento, mas o tempo passa para todos e com isso a beleza se esvai.

 

Brigitte Bardot em sua juventude e anos depois.

Brigitte Bardot em sua juventude e anos depois.

E antes que alguém pergunte sobre quadros, esculturas e afins, a arte não é apenas a satisfação de fazer algo bonito e sempre envolve um enorme conhecimento intelectual e habilidade.

Qual te chama mais atenção?

einstein     meninas

E qual deles terá a imagem e trabalho reconhecido por mais tempo?

 

Ok, mas e a web com isso?

Quando transportamos esse raciocínio para o mercado das produtoras e agências percebemos que existe um deslumbramento. Todos querem um site com luzes, brilhos e todos os efeitos possíveis. Quando não há um conceito, uma idéia boa, sempre há espaço para um  “PPV3D”, “A.R.” ou qualquer que seja a sigla da moda, mesmo que não se saiba ainda pra que serve ou o que aquilo faz.

Apoiar um projeto exclusivamente  numa tecnologia ou num conceito de beleza é o primeiro passo para um projeto fracassado, ou no melhor dos casos, num projeto de vida curta. Não que isso seja uma coisa ruim, em especial se você estiver produzindo um hotsite, por exemplo, mas não é melhor fazer algo memorável, bem arquitetado e com bons motivos?

Os projetos inteligentes

Os mais interessantes são tão bem pensados que se tornam atemporais e voltam a circular pela web de tempos em tempos. O mais bem sucedido projeto – que eu me lembre – sequer possui questões estéticas.

Você conseguiria imaginar seu dia-a-dia, por exemplo sem o internet banking?  Há anos ele é utilizado e isso se tornou tão natural que você sequer se dá conta do quanto de inteligência, processos, regras, mecanismos há ali.

Não dá pra dizer que o Internet Banking do Banco do Brasil, por exemplo, é bonito, mas é funcional, lá você consegue fazer o que precisa – ou quase tudo que precisa – logo, ele cumpre seu papel.

bb

Então o lance é fazer feio?

Não, o lance não é fazer feio, veja a 2Advanced eles fizeram algo muito a frente de seu tempo e até hoje tem coisa muito boa pra mostrar. Ter uma boa aparência é essencial, afinal, para se envolver na ferramenta, você precisa de tempo e a beleza pode ser um bom motivo para que você continue a navegar, e até mesmo ignorar alguns pequenos deslizes.

A palavra é equilíbrio, se o conceito não está bom, se o layout ainda não é lá essas coisas, use um pouco mais de tempo pensando nos detalhes, troque idéias e se necessário mude tudo, comece do zero, assim você consegue um equilíbrio muito melhor das coisas e o projeto tem mais chances de ser um sucesso.

fwa

Usabilidade, status e utilidade

Um dos casos mais interessantes atualmente é o FWA, um site que além de ser extremamente fácil de usar, tem diversas utilidades (lista de jobs, por exemplo), serve como mecanismo de inspiração para programadores e diretores de arte e principalmente fornece status aqueles que conseguem incluir seu site lá.

**Há dirvesas falhas no site (FWA) como já comentadas N vezes por N pessoas, mas me refiro ao serviço prestado àqueles que procuram inspiração e ao status que é repassado aos que são selecionados.

E qual a conclusão disso?

Na verdade não há uma conclusão, existe um enorme mercado que precisa de imagens, mesmo que vazias. Giros de camera, 3D e vídeos sem motivo nenhum. Existe também um outro mercado que precisa de estratégias bem feitas, com objetivos claros e resultados duradouros.

O que quero mostrar é que mesmo em projetos de curta duração, onde há apenas o objetivo de gerar desejo no usuário, ainda assim é possível criar algo que faça sentido, algo além de uma peça vazia que acaba se enquadrando na necessidade humana de ver um sentido para tudo que lhe é exposto (mesmo que não exista este sentido). 



Brahma

Este comercial é muito simpático, mas sinto muito, pra mim, é completamente sem sentido. Certamente algum publicitário pode dizer “O conceito é…”, mas pra mim, continua vazio.

Ainda acho que o caminho para um bom projeto, peça ou seja lá o que for, é pensar, projetar e discutir tudo sem medo, caso contrário, continuaremos com os “Já é natal …”, “Vote e participe…”, “coloque um 3d ali que fica mais interativo”, etc.

Obrigado à Tainá, @zeh_br e @dpaola pela colaboração.

[Update]

http://www.bannerblog.com.au/2009/04/bavaria_premiums.php

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Projetar, do começo ao fim.

April 5th, 2009

Recentemente participei da discussão sobre um projeto onde haviam criado uma rede social, do zero para um site relacionado a gastronomia. Disseram que a motivação da criação desta rede social era o elevado número de comunidades no orkut relacionadas a empresa.

Depois de 5 minutos de conversa conseguimos chegar a algumas conlcusões e perceber erros comuns em diversos projetos (de site ou não).

Reinventando a roda – Dividir para conquistar.

Vamos criar um sistema para a publicação de vídeos, de fotos, uma rede social! Idéia brilhante… a não ser pelo fato de já existir isso tudo e de maneira muito bem resolvida.

O tempo necessário para a integração das APIs do Orkut, Flickr, Youtube, etc. É muito menor que o tempo necessário para desenvolver ferramentas – infinitamente menos poderosas – baseadas nestes serviços.

Onde o virtual se torna real?

Não trabalhar até o fim as ferramentas já projetadas é outro erro muito comum, por exemplo, um site permite que seus usuários publiquem suas receitas e essas receitas podem ser votadas pelos demais usuários. Ok, temos uma “competição”, mas e aí? 

Essa interação incompleta poderia ser transformada numa ação muito mais atraente se fizéssemos com que a relação virtual x real existisse. Por que não organizar uma noite de degustação tendo como cardápio as receitas mais votadas? Os convidados poderiam ser os mais ativos no site, autores, etc.

Olhem, uma coisa nova!

Eu sei, não há como evitar, quando vemos algo novo e bacana, queremos fazer também, e o pior, sempre há muitos pra comprar a idéia, mas não seria ideal entender primeiro o que é, pra que serve…?

Augmented reality (AR) não vai salvar o mundo, 3D não vai salvar sua (falta de) idéia e um giro de camera não vai tornar o site mais interessante.

Tive uma idéia, os usuários vão adorar!

Ter uma idéia sensacional é raro, muito raro, mas acreditar que sua idéia é sensacional é extremamente comum. O mais importante é, não se apegue a sua idéia, não se ofenda se alguém disser que a achou horrível, inviável ou algo do tipo.

Esses e outros erros tão comuns, se repetem em diversos lugares, mas não é dificíl ver que com um pouco de atenção aos detalhes, bom senso, desapego e disposição para ouvir, muitos erros seriam evitados.

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Graduar ou não graduar? Certificar ou não certificar?

April 1st, 2009

Ontem eu estava pensando em criar um post com um agradecimento aqueles que tanto contribuíram para minha formação pessoal/profissional, mas depois do post do Cassano sobre faculdade, acabei mudando o foco do post, para falar do que penso sobre formações e aproveitar para agradecer.

Sobre o que ele disse, eu concordo em partes.

Graduação

Acho de verdade que uma faculdade pode, eu disse PODE, fazer uma enorme diferença para uma pessoa. As dificuldades e sacrifícios que tive que fazer para cursar a faculdade, as pessoas que conheci, o respeito dos professores, ritos e tudo mais, não seriam substituídos pelas experiências que tive na vida profissional.

Vejo todos os dias, ou quase todos os dias, código de comunicólogos que programam e não consigo entender porque se auto denominam “desenvolvedores”, porém, também vejo código de tecnólogos que não são lá essas coisas. Por outro lado, basta ver o que o Zeh é capaz de fazer com seus códigos para derrubar o mito da necessidade de uma faculdade focada para se tornar excelente no que faz.

Não é a faculdade que faz a pessoa, – mais clichê impossível, mas cabe aqui – tem muito publicitário formado na ESPM que sequer sabe escrever direito. Tem muita gente formado em faculdades de péssima fama que são referência (não vou dar exemplo do Dulcetti porque acho vacilo :) .

Certificação

Tenho (literalmente) uma dúzia de certificações, Flash, Flex, CF… algumas deram trabalho e tive que estudar, outras não deram trabalho nenhum, mas a conclusão sobre todas elas, parafraseando o Zeh é, “Elas atendem a mercado ao qual não pertenço”.

Nunca ganhei 1 centavo a mais por tê-las, nunca achei que haviam contribuído de forma significativa para que eu fosse um melhor desenvolvedor.

Porque as tenho? Honestamente, não sei. Talvez seja só pra poder dizer, “Sinto muito, mas é fácil consegui-las”.

Experiência, convivência e Personalidade

De minha parte, com o próprio Cassano aprendi tanto, tanto sobre comunicação… com o Pedro Taranto sobre programação, Raul Queiroz, Rodrigo Freire e outros sobre “criação”, Rothier sobre criação e como lidar com as pessoas, e a lista não para de crescer.

Por conta desse conhecimento fui contratado n vezes em n circunstâncias. Acredito sim que a faculdade me fez um “melhor profissional”, mas acredito mais que a convivência com pessoas tão bacanas me fizeram melhor como um todo.

A maior lição que tive na vida foi a de um senhor – amigo da família – cujo nome é Edvaldo, ao ver aquele senhor de quase 60 anos tentando se formar em engenharia, fui conversar com ele. A história dele é simples, ele veio do campo e era analfabeto até os 21 anos. Aos 57 se formou em engenharia, a diferença que isso fez pra vida dele, sinceramente não sei, mas a vitória que aquilo representou… não dá pra descrever.

Das histórias que me mudaram

Passei 1 ano acordando 4:30 da manhã para ir de Petrópolis ao Rio para estudar. Numa das situações mais divertidas – agora eu posso rir – aconteceu o seguinte, quando já estava quase me mudando pro Rio comecei a faltar aulas, um dos professores se irritou e resolveu fazer uma aposta comigo, se eu tirasse 10 na primeira prova dele, não precisava mais ir nas aulas. Aceitei o acordo e tirei o 10, não voltei mais na aula e reprovei por nota… a única reprovação que tive, lição aprendida. É, não tinha motivo nenhum pr’eu contar essa história, mas eu gosto dela.

Conclusão

A grande diferença é  não se limitar, tanto na faculdade quanto na convivência. Sempre fiz questão, na faculdade, de assistir as aulas do curso de jornalismo, desenho industrial, administração, direito… Sempre fiz questão de aprender com jornalistas, designers, médicos, veterinários.

Se acho que a faculdade é essencial, sim, eu acho. Senão é possível que você passe o resto da vida dizendo que foi formado “pelas ruas”. Mas se você não teve a chance, isso te torna pior? Não, isso não te torna pior, mas talvez seja um bom desafio para você.

Já que estou aqui…

Eu tentei escrever o nome das pessoas com quem tanto aprendi, mas a lista seria enorme, mas sou muito agradecido por tudo que me ensinaram. E já que esse post veio por conta do Cassano, torno pública minha admiração por todo seu conhecimento e trabalho, você é O cara.

 

[nota]

Há certificações muito, muito diferentes das que tenho, essas sim punks, mas essas da Adobe, Microsoft, etc…

[Update]

Me lembraram que uma empresa já me ofereceu dinheiro pr’eu dizer que era funcionário de lá (por conta do certificado) para que ela participasse de uma concorrência. Não sei se isso ainda acontece, mas dizem que antigamente era muito comum.

[Outros links sobre isso]

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Mudanças do ETI & EWD

March 26th, 2009

Segue a nota oficial:

Atendendo a pedidos:

o EWD e o ETI serão um evento único! Ou seja, quem se inscreveu em um evento poderá assistir livremente às palestras do outro. E tem mais: vamos abrir mais vagas para as oficinas, que estavam lotadas.

A Arteccom está se reunindo freqüentemente com colaboradores, designers, desenvolvedores, sites parceiros e blogueiros, onde conversamos sobre as sugestões/ideias emitidas pelas redes sociais. Nesta terça, tivemos mais umCafé Arteccom e eles reclamaram por não ter livre acesso aos dois eventos.

Decidimos então juntar o Encontro de Webdesign e o Encontro de TI e, com as oficinas, teremos 3 opções de conteúdo simultaneamente, contando com as palestras principais dos dois assuntos e oficinas de temas complementares.

Queremos agradecer imensamente todos que estão colaborando para que a Arteccom proporcione eventos cada vez mais produtivos para o mercado nacional de Internet, já são 9 capitais! Pedimos desculpas por algum transtorno, mas acreditamos no discurso (que inclusive ajudamos a propagar) de que as empresas precisam aprender a trabalhar colaborativamente e tirar realmente o maior proveito das redes sociais e da inteligência coletiva.

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Categories: Evento

[O Globo] Manual do Assinante

March 21st, 2009

Estive envolvido nos últimos tempos em um projeto com a Giovanni+DRAFTFCB para O Globo, o resultado você vê aqui.

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