De cara preciso deixar claro que estou falando de um mercado muito específico que cada vez mais valoriza a estética dos trabalhos e quase sempre se esquece da *inteligência necessária para torná-lo mais durável.
*Inteligência tendo como sentido neste texto: A compreensão do site, facilidade de uso e sua aceitação pelo usuário, sua relevância, criatividade, utilidade, entre outros.
A beleza é efêmera.
Sim, a beleza é efêmera, mas acima disso, o conceito de beleza é temporal e relativo (minha mãe me acha lindo, você pode me achar um traste), o da inteligência é, em geral, absoluto. Pense nas musas da antiguidade e compare com o conceito atual de beleza, percebe a mudança? Por outro lado, sendo ou não incompreendidos em sua época, há quase unanimidade sobre a fundamental contribuição de Platão, Turing e outros (é importante ter em mente que ninguém tem 100% de razão, mesmo os gênios).

O inteligente e genial não passa, é indiscutível
Mesmo havendo quem questione o conteúdo da teoria da relatividade, eletromagnetismo, teorias sociais, filas, grafos ou das cores, quem questiona sua relevância?
Ninguém discute tais coisas, por mais que algumas delas tenham sido revisadas ou com o passar do tempo tenham deixado de ser utilizadas, sua importância é eterna. Isso é uma das demonstrações que o trabalho que envolve o intelecto, em geral, é mais durável que os trabalhos realizados apenas para realizar algo bonito.
Tiazinha, Rita Cadilac e tantas outras, tiveram seu momento, mas o tempo passa para todos e com isso a beleza se esvai.

Brigitte Bardot em sua juventude e anos depois.
E antes que alguém pergunte sobre quadros, esculturas e afins, a arte não é apenas a satisfação de fazer algo bonito e sempre envolve um enorme conhecimento intelectual e habilidade.
Qual te chama mais atenção?

E qual deles terá a imagem e trabalho reconhecido por mais tempo?
Ok, mas e a web com isso?
Quando transportamos esse raciocínio para o mercado das produtoras e agências percebemos que existe um deslumbramento. Todos querem um site com luzes, brilhos e todos os efeitos possíveis. Quando não há um conceito, uma idéia boa, sempre há espaço para um “PPV3D”, “A.R.” ou qualquer que seja a sigla da moda, mesmo que não se saiba ainda pra que serve ou o que aquilo faz.
Apoiar um projeto exclusivamente numa tecnologia ou num conceito de beleza é o primeiro passo para um projeto fracassado, ou no melhor dos casos, num projeto de vida curta. Não que isso seja uma coisa ruim, em especial se você estiver produzindo um hotsite, por exemplo, mas não é melhor fazer algo memorável, bem arquitetado e com bons motivos?
Os projetos inteligentes
Os mais interessantes são tão bem pensados que se tornam atemporais e voltam a circular pela web de tempos em tempos. O mais bem sucedido projeto – que eu me lembre – sequer possui questões estéticas.
Você conseguiria imaginar seu dia-a-dia, por exemplo sem o internet banking? Há anos ele é utilizado e isso se tornou tão natural que você sequer se dá conta do quanto de inteligência, processos, regras, mecanismos há ali.
Não dá pra dizer que o Internet Banking do Banco do Brasil, por exemplo, é bonito, mas é funcional, lá você consegue fazer o que precisa – ou quase tudo que precisa – logo, ele cumpre seu papel.

Então o lance é fazer feio?
Não, o lance não é fazer feio, veja a 2Advanced eles fizeram algo muito a frente de seu tempo e até hoje tem coisa muito boa pra mostrar. Ter uma boa aparência é essencial, afinal, para se envolver na ferramenta, você precisa de tempo e a beleza pode ser um bom motivo para que você continue a navegar, e até mesmo ignorar alguns pequenos deslizes.
A palavra é equilíbrio, se o conceito não está bom, se o layout ainda não é lá essas coisas, use um pouco mais de tempo pensando nos detalhes, troque idéias e se necessário mude tudo, comece do zero, assim você consegue um equilíbrio muito melhor das coisas e o projeto tem mais chances de ser um sucesso.

Usabilidade, status e utilidade
Um dos casos mais interessantes atualmente é o FWA, um site que além de ser extremamente fácil de usar, tem diversas utilidades (lista de jobs, por exemplo), serve como mecanismo de inspiração para programadores e diretores de arte e principalmente fornece status aqueles que conseguem incluir seu site lá.
**Há dirvesas falhas no site (FWA) como já comentadas N vezes por N pessoas, mas me refiro ao serviço prestado àqueles que procuram inspiração e ao status que é repassado aos que são selecionados.
E qual a conclusão disso?
Na verdade não há uma conclusão, existe um enorme mercado que precisa de imagens, mesmo que vazias. Giros de camera, 3D e vídeos sem motivo nenhum. Existe também um outro mercado que precisa de estratégias bem feitas, com objetivos claros e resultados duradouros.
O que quero mostrar é que mesmo em projetos de curta duração, onde há apenas o objetivo de gerar desejo no usuário, ainda assim é possível criar algo que faça sentido, algo além de uma peça vazia que acaba se enquadrando na necessidade humana de ver um sentido para tudo que lhe é exposto (mesmo que não exista este sentido).
Este comercial é muito simpático, mas sinto muito, pra mim, é completamente sem sentido. Certamente algum publicitário pode dizer “O conceito é…”, mas pra mim, continua vazio.
Ainda acho que o caminho para um bom projeto, peça ou seja lá o que for, é pensar, projetar e discutir tudo sem medo, caso contrário, continuaremos com os “Já é natal …”, “Vote e participe…”, “coloque um 3d ali que fica mais interativo”, etc.
Obrigado à Tainá, @zeh_br e @dpaola pela colaboração.
[Update]
http://www.bannerblog.com.au/2009/04/bavaria_premiums.php